Esse é o título do album de fotos do Facebook de um espanhol que trabalha comigo e que, assim como eu e diferente de quase todo o restante das pessoas compostas por no mínimo 17 nacionalidades distintas, se mudou para Glasgow somente por causa do emprego de Localisation Game Tester.
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Glasgow?
Esse é o título do album de fotos do Facebook de um espanhol que trabalha comigo e que, assim como eu e diferente de quase todo o restante das pessoas compostas por no mínimo 17 nacionalidades distintas, se mudou para Glasgow somente por causa do emprego de Localisation Game Tester.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Volta o cão arrependido...
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Diferente pero no mucho

Já faz três finais de semana que estou em Madrid – sim, com ‘d’ no final porque já não consigo escrever da maneira brasileira – e ainda não tinha encontrado tempo para escrever sobre a minha segunda escolha de lugar para se viver no continente europeu.
E essa falta de tempo nada mais é que um reflexo da intensidade de como as coisas acontecem na vida real e me tomam o tempo da antiga e solitária virtual.
Desde que cheguei aqui, perdi o costume que me acompanha desde que a internet banda larga foi implantada, de ligar o computador sempre que chego em casa antes mesmo de tirar os sapatos. Agora, sempre vem primeiro a vontade de tomar um banho, tirar toda a inhaca de protetor solar e poeira do corpo e dormir logo porque tenho só algumas horas de sono para um novo dia seguinte repleto de atividades.
Desde que cheguei aqui, o calor, a cara do sol e o ritmo das pessoas me conquistaram de uma maneira, que antes que prossigam a ler este texto preciso dizer que é apaixonante e, assim como todo coração apaixonado atropela os defeitos de seu amado, talvez eu faça isso nesta descrição e percepção de Madrid.
Reforço a dizer que a Espanha, de um modo geral, me roubou o coração como se rouba doce de criança, mas Madrid, a capital onde estou vivendo, mais do que tudo me contagia e surpreende em todo tempo, em toda parte.
Não sei se foi o fruto de uma relação turbulenta que se tornou um tanto desgastada nos seis meses com a congelante Dublin que me fizeram cair de amores por Madrid de cabeça, ou a latinidade toda que trouxe mais perto todos os comportamentos, costumes, calor e o próprio idioma do meu país; mas o fato é que, desde que coloquei os pés aqui, me sinto em casa.
Me sinto em casa de uma maneira até ingrata, porque já não me deparo com a falta do Brasil como na Irlanda. Amo meu país e ainda considero, como Dorothy de O Mágico de Oz, que “there is no place like home”, mas sinto que a hora de voltar pra casa pode e deve esperar.
Não há como resumir três semanas em um texto, tampouco penso que poderia. A maioria das coisas vai muito além do acontecer para o sentir e não há como transmitir com palavras. Meus pés nunca estiveram tão feios e cansados, como disse minha amiga desde a infância Regiane, que coincidentemente se encontra comigo neste momento, se eu sentar numa calçada e mostrá-los com um chapéu do lado, com certeza, vão me jogar moedas por piedade. Não há mais lugares para machucados e bolhas, nem o tênis de escalada que comprei essa semana ajudou. As sardas mais salientes também revelam que o protetor solar não está dando conta, mas Madrid merece e não consigo parar.
Difícil preferir os túneis frios do subsolo pegando um atalho no metro ao calor e vivacidade das ruas desta capital que durante o dia brilha e durante a noite, reluz. Das oito da manhã, quando saio para as aulas na Universidade Complutense, até a hora de voltar da balada, não importa qual seja a hora, a cidade está cheia. Pessoas andando pelas praças, calçadas e parques. Ninguém parece preocupado com o horário. Até famílias, com suas crianças, caminham em plena meia noite. Ninguém parece cansar. Ninguém parece querer voltar pra casa. Talvez porque a casa seja o próprio lado de fora, talvez porque o conceito de casa esteja em todos os lugares.
De fato não sei dizer o que me encanta mais. Alguns espanhóis que trabalham com o atendimento ao público são bem mal educados, impacientes e apressados. Dizem que algumas partes da cidade são violentas e já até presenciei um assalto em uma loja a alguns quarteirões de casa. Aqui também tem mendigos e algumas paredes pichadas. Uma cidade, talvez como muitas outras, mas os pés cansados não negam que até os pequenos defeitos fazem parte da magia de um lugar que não é perfeito, no entanto se faz completo com suas doses certeiras de bondade e malícia.
Sim, Madrid não é perfeita, mas como já dizia Jabor: “Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta. O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar. (...) Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca”.
Este sábado em uma taverna de sangrias, um texto de Nietzsche que estava na parede resume tudo isto. Em um idioma diferente, “pero no mucho”. Ao menos não o suficiente para que não seja compreendido para os falantes de português, aqui está a perfeição que se encontra em ser errante: “Odio las almas estrechas, sin bálsamo ni veneno hecha sin nada malo ni bueno".